Acordar antes do alarme é uma situação comum que gera um dilema imediato sobre o que fazer com os minutos extras. Embora a vontade de fechar os olhos novamente seja forte, a ciência alerta que a decisão errada pode resultar em um dia de cansaço extremo. Segundo a Dra. Lamees Hamdan, médica integrativa e especialista em longevidade, o sono saudável alterna entre os estágios não-REM profundo e REM. Quando interrompemos esse ciclo e tentamos forçar um retorno, o corpo pode sofrer uma fragmentação que prejudica a regulação emocional e a memória.
O risco de voltar a dormir
O grande perigo de ignorar o despertador e tentar dormir mais um pouco reside na inércia do sono. O Dr. Mike Gradisar, psicólogo clínico e chefe de ciência do sono no Sleep Cycle, explica que se você despertar e se sentir calmo, tentar cochilar novamente pode ser benéfico. No entanto, se o estado de alerta for alto, insistir em ficar na cama pode ser um erro estratégico. O cérebro começa a associar o colchão com o ato de pensar e se preocupar, o que é um gatilho para a insônia crônica.
Estudos da Universidade de Flinders indicam que despertares breves são biologicamente normais. O problema surge quando esses episódios se tornam prolongados. Se você estiver acordado há mais de 20 minutos, a recomendação técnica é levantar-se. Ficar rolando de um lado para o outro aumenta os níveis de cortisol e a frequência cardíaca, preparando o corpo para um estresse que não deveria existir naquele momento.
A técnica do controle de estímulos
Para quem não consegue retomar o sono rapidamente, especialistas sugerem a Terapia de Controle de Estímulos. Essa abordagem, validada por órgãos como a American College of Physicians, orienta que a pessoa saia do quarto e realize uma atividade de baixa estimulação sob luz suave. Ler um livro físico ou meditar são opções ideais. O objetivo é retornar à cama apenas quando o sinal biológico de sonolência, como o peso nas pálpebras, reaparecer de forma natural.
Como estabilizar o relógio biológico
A prevenção de despertares precoces envolve ajustes na rotina diária. A Dra. Lamees Hamdan ressalta que o consumo de álcool é um dos maiores vilões, pois, embora ajude a adormecer, fragmenta o sono durante a madrugada. Manter um horário consistente para acordar, inclusive aos finais de semana, ajuda a construir a pressão do sono necessária para uma noite ininterrupta. Se o cansaço bater durante o dia, um cochilo de no máximo 20 minutos pode ser a solução, desde que não comprometa o descanso principal.
