Os chinelos de casa tornaram-se o acessório de bem-estar mais comentado de 2026 após uma tendência viral ganhar força nas redes sociais. O movimento defende que o uso constante de calçados internos protege o corpo e melhora a circulação. No entanto, a ciência por trás do hábito revela que a escolha entre ficar descalço ou calçado depende diretamente da condição física de cada pessoa.
Especialistas em podologia afirmam que o uso de calçados internos oferece benefícios estruturais que o chão puro não consegue proporcionar. Segundo o cirurgião Miguel Cunha, proprietário da Gotham Footcare em Nova York, sapatos domésticos evitam acidentes e reduzem o estresse nas articulações. Eles oferecem suporte de arco e amortecimento essencial contra superfícies rígidas como porcelanato e madeira.
O perigo do chão duro para quem tem dores
Para quem já sofre com desconfortos crônicos, abandonar os chinelos pode ser um erro grave. O médico Bobby Pourziaee, conhecido como o cirurgião das celebridades nos Estados Unidos, alerta que calçados de apoio reduzem a pressão na fáscia plantar. Isso é fundamental para quem tem pés planos ou arcos altos, pois o calçado minimiza o colapso estrutural e evita o cansaço muscular excessivo.
Um calçado interno ideal deve ter suporte de arco estruturado e uma entressola almofadada, mas firme. Mas é preciso ter um cuidado sanitário rigoroso. O doutor Miguel Cunha ressalta que sapatos usados na rua jamais devem entrar em casa. O hábito de usar o mesmo calçado em ambos os ambientes transporta bactérias e fungos perigosos para dentro do lar.
Quando ficar descalço é a melhor opção
Por outro lado, o contato direto com o solo tem suas vantagens para pessoas saudáveis. O doutor Bobby Pourziaee explica que andar descalço estimula receptores nervosos nas solas dos pés. Esse processo melhora o equilíbrio e a consciência corporal, permitindo que os dedos se espalhem naturalmente e os músculos intrínsecos se fortaleçam com o tempo.
A ventilação é outro ponto positivo destacado pelos médicos. Manter os pés livres ajuda a evitar infecções fúngicas, já que o ambiente seco e fresco dificulta a proliferação de micro-organismos. No entanto, a médica Mitzi L. Williams, do Paley Orthopedic & Spine Institute, lembra que pessoas com joanetes ou tendinite podem piorar o quadro ao andar sem proteção.
O equilíbrio ideal para a saúde podológica
A recomendação final dos especialistas é buscar um meio-termo saudável para garantir a longevidade da locomoção. O doutor Miguel Cunha sugere combinar períodos descalços com o uso de calçados de suporte para treinar a coordenação e a força. Exercícios simples como curvar os dedos e elevar o arco do pé ajudam a construir uma base sólida para o corpo.
É fundamental que pessoas com diabetes ou neuropatia evitem andar descalças com frequência. Nesses casos, a sensibilidade reduzida pode esconder pequenos ferimentos que evoluem para infecções graves. Para os demais, a transição para o hábito de ficar descalço deve ser gradual, sempre monitorando qualquer sinal de dor no calcanhar ao acordar.
